A segunda ”coluna” da auto-definição do movimento pentecostal e carismático é a doutrina do “batismo do Espírito” como sendo uma segunda experiência, uma “segunda bênção” depois do novo nascimento. Ou seja, conforme esta doutrina, o crente recebe a plenitude do Espírito Santo, seu poder e seus dons somente nesta segunda experiência. Isto combina com a doutrina bíblica?

 

1) O “Batismo do Espírito” – uma “Segunda Bênção”?

A grande maioria dos adeptos do Pentecostalismo e da Renovação Carismática (ReC) confessam a doutri- na do “batismo do Espírito”. Este ensinamento diz que o convertido que já experimentou o novo nascimento, ainda precisa desta segunda experiência, do “batismo do Espírito”, para poder realmente desfrutar da plenitude do Espírito Santo com Seu poder e Seus dons.

Este “batismo do Espírito” é transmitido, na maioria das vezes, por meio de imposição de mãos de pregadores “ungidos”. Antigamente houve ainda grandes preparativos em reuniões de espera com jejuns e orações prolongados e em alguns lugares até com intensas confissões de pecado. Hoje existem muitos lugares onde as pessoas que procuram este tal “batismo” são instruídas a imitarem os “ungidos” em volta delas que já falam em línguas estranhas, e, aos poucos irão desenvolver o dom de línguas próprio, o que servirá de prova que o “batismo espiritual” aconteceu. O falar em línguas é tido como prova incontestável do tal “batismo do Espírito”.

Além do dom de línguas podem aparecer visões, sonhos e vozes interiores que são interpretadas como o falar de Deus no coração, fora outras manifestações de poderes milagrosos. Conforme esta doutrina, o “batismo do Espírito” transmite dons sobrenaturais, também chamados de “carismas”, que o crente “comum” que confessa somente o novo nascimento, não possui.

Além de tudo isso, o “batismo espiritual” significa a introdução em uma vida totalmente nova e diferente que se move em níveis superiores da fé, como se fosse um “super-cristianismo”. Alegam os adeptos desta prática que esta segunda experiência transmite a vitória total sobre todas as tentações e todos os pecados. Um nível superior de santificação, alegria transbordante e um surpreendente poder espiritual constante seriam os frutos que permitiriam viver na presença de Deus ininterruptamente.

Esta “bênção” traz aos seus portadores experiências extáticas, revelações divinas em forma de visões, imagens, vozes, misteriosas “comunicações”, além de “viagens espirituais” ao Céu e ao Inferno, e autoridade completa sobre Satanás e seus demônios. Se alguém ainda acha pouco, esta “segunda experiência” criaria também a “fé apostólica”, que permite aos seus portadores fazerem absolutamente tudo o que os apóstolos de Cristo fizeram.

Frente a tantas promessas fantásticas e miraculosas, não surpreende que multidões de crentes busquem o tal “batismo espiritual”. Visto que muitos cristãos, no decorrer de anos e anos no discipulado, ficam desanimados e abatidos emocionalmente pelas suas muitas derrotas e fraquezas espirituais e sua falta de progresso na fé.

Nesta situação, a esperança de fazer uma experiência-chave, que resolva tudo isso num passe de mágica, realmente parece irresistível. E, à primeira vista, impressiona o exemplo dos apóstolos que depois de Pente- costes mudaram completamente. Afinal, na Bíblia temos a promessa de Cristo que Ele nos batizaria com o Espírito Santo.

Mas para ter certeza da veracidade destas afirmações, não ajuda seguirmos as emoções. É preciso, mais uma vez, examinar cuidadosamente esta questão: O “batismo do Espírito” vem de fato de Deus? Que tipo de espírito é transmitido nessa ocasião? As doutrinas pentecostais e da ReC estão de acordo com as doutrinas bíblicas? Sejamos atentos ao princípio: Tudo que vem realmente de Deus, estará sempre de acordo com a doutrina inspirada pelo Espírito Santo no Novo Testamento!

2) A Doutrina Bíblica sobre o Recebimento e o Batismo do Espírito Santo

Se nós quisermos usar a doutrina bíblica como padrão para nosso exame, precisamos ter a certeza, onde encontrá-la. Já no primeiro capítulo deste trabalho descobrimos que a doutrina para os crentes da Igreja está no Novo Testamento (NT), ao passo que no Antigo Testamento (AT) não encontramos doutrinas para a Igreja pelo fato de que ela ainda era um mistério desconhecido dos autores da época (veja Efésios 3;4-7).

Dentro do quadro do NT já encontramos doutrinas do Senhor Jesus nos Evangelhos; mas é preciso reconhecer que a maioria delas se refere aos discípulos judeus e ao Reino Messiânico (Milênio de Cristo) futuro. Assim, nem todos, mas sim, só alguns dos ensinamentos do Senhor se aplicam diretamente à Igreja.

No livro de Atos não achamos doutrinas específicas referentes à Igreja, mas sim, um relato histórico sobre o surgimento dela, que descreve várias situações peculiares, que não podem ser aplicadas como padrão bíblico da atualidade. O livro de Apocalipse tem um conteúdo principalmente profético. Assim sendo, vemos que a fonte mais importante de doutrinas da Igreja e específicamente de doutrina do recebimento e batismo do Espírito se encontra nas cartas (Romanos a Judas). Alí está a famosa “Doutrina dos Apóstolos” (Atos 2;42).

a) A Doutrina Bíblica sobre o Recebimento do Espírito Santo

Principalmente a Carta aos Gálatas nos responde a pergunta sobre o momento e a hora em que o crente recebe o Espírito. Nestes textos está escrito que o crente em Cristo receberá o Espírito pela fé (veja Gál. 3;14), isto é, pela fé salvadora em Cristo, que por sua parte responderá com o novo nascimento: “…para que a pro- messa pela fé em Jesus Cristo fosse dada aos crentes (aos que crêem).” Gál. 3;22, confira também João 7;39.

O crente recebe o Espírito bem na hora da conversão (na entrega do comando da vida a Cristo) e do novo nascimento, nem antes, nem depois. Esta verdade é confirmada em Efésios 1;13: “…e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa.” Mais um reforço desta doutrina encontramos em Romanos 8;9: “Vos, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele.”

Fica bem claro que cada crente recebe o Espírito Santo na hora da conversão e do novo nascimento. E agora entram os mestres do movimento carismático, tentando minar esta verdade, dizendo que sim, que o crente recebeu um pouco do Espírito, mas ainda falta a plenitude do poder divino. Este termo “um pouco do Espírito” mostra que eles consideram o Espírito de Deus como sendo uma força impessoal. E muitos grupos da ReC O tratam desta maneira mesmo.

Mas a Bíblia nos mostra que o Espírito Santo é uma pessoa, atribuindo a Ele caraterísticas típicas de pessoas, como ter sentimentos, pensamentos, que se comunica, adverte etc. Confira os seguintes versículos: Mateus 4;1, 10;20, Marcos 13;11, Lucas 12;12, João 14;16-17, 15;26, 16;13, Atos 5;3+9, 16;7, 18;5, Romanos 8;26, I Coríntios 12;11, Ef. 4;30, Filip.1;19, I Tim. 4;1, Tito 3;5, Hebr. 3;7, 9;8, 10;29, Tiago 4;5, II Pedro 1;21, I João 5;6-8, Apoc. 2;7, 22;17.

Uma vez confirmada esta certeza, que o Espírito de Deus é uma pessoa, e mais que isso, uma pessoa divina, fica também óbvio, que Ele só pode ser recebido como pessoa inteira ou não ser recebido. Não há possibilidade alguma de recebê-Lo por partes (“um pouco”). Quando o Espírito vem na hora do novo nascimento para fazer habitação na vida do recém-convertido, Ele vem na Sua plenitude, com todo Seu poder. O quanto desta plenitude e poder se manifestará depois no dia-a-dia do crente, isto depende da devoção e entrega diária e da maturidade de cada um.

Mas o ensino bíblico deixa bem claro que todos os que nasceram na família de Deus pelo novo nasci- mento, receberam a plenitude do Espírito naquela hora da entrega e submissão a Cristo. Naquele momento glorioso acontecem, despercebidas dos nossos sentidos, várias coisas no mundo espiritual ao mesmo tempo: a) O Espírito Santo gera e faz nascer de novo o convertido (João 3;6), b) O Espírito o santifica (Rom. 15;16, II Tess. 2;13), c) Ele o batiza (= o submerge) no Corpo Espiritual de Cristo (I Cor. 12;13), d) Ele o sela (Efésios 1;13), e) Ele faz habitação permanente nele (I Cor. 3;16, II Tim. 1;14).

Resumindo: Toda a doutrina do Pentecostalismo e da ReC sobre o batismo espiritual como sendo uma segunda experiência depois do novo nascimento é falsa e contraria frontalmente a doutrina bíblica.

b) A Doutrina Bíblica sobre o Batismo do Espírito Santo

Quais são os pronunciamentos bíblicos sobre o termo-chave dos grupos pentecostais, o “batismo do Espí- rito”? Será que a Bíblia conhece um batismo espiritual como experiência que se manifesta com sensações de poder sobrenatural, fluindo pelo corpo? Nada consta no AT, mas o NT nos traz várias informações a respeito.

O Anúncio do Batismo com o Espírito Santo

Antes do aparecimento do Messias, João Batista anuncia que Jesus Cristo batizará com o Espírito Santo
(veja Marcos 1;7-8, Lucas 3;16, João 1;26-27).

“E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo, e com fogo. Em sua mão tem a pá, e limpará a sua eira, e recolherá no celeiro o seu trigo, e queimará a palha com fogo que nunca se apagará.” (Mateus 3;11-12)

A tarefa de batizar com o Espírito de Deus é do Messias, do Senhor Jesus Cristo pessoalmente. Seu antecessor e servo João Batista não podia cumprir esta missão. O versículo 12 deixa evidente que o “batismo com fogo”, tão valorizado pelos grupos pentecostais, na verdade representa o juizo da ira de Deus.

Cristo batizará a todos que se convertem a Ele com o Espírito de Deus, mas os que desobedecem ao Evangelho serão batizados com o fogo inextinguível do juizo. Desta forma, os muitos adeptos enganados do pentecosta- lismo que imploram pelo batismo de fogo, estão pedindo pela manifestação da ira de Deus, pela sua própria condenação.

Em Atos 1,4-5 o anúncio de João Batista é repetido e confirmado pelo próprio Senhor Jesus Cristo. Este pronunciamento do Senhor se refere claramente ao derramamento do Espírito Santo no dia de Pentecostes. O apóstolo Pedro confirma esta relação, relatando aos irmãos os acontecimentos na casa de Cornélio em Atos 11;15-17. Desta forma aconteceu, ao descer o Espírito Santo no dia de Pentecostes, o batismo do Espírito.

O Objetivo do Batismo Espiritual Bíblico

Mas ainda não sabemos qual a tarefa que este batismo cumpre no conselho divino. A resposta se encontra naturalmente nas cartas dos apóstolos. Vejamos I Coríntios 12;13:

“Pois em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito.” (Aqui usamos a Almeida Revista e Atualizada, porque neste texto específico ela é mais fiel ao texto original grego).

Aqui está a doutrina bíblica sobre o batismo do Espírito Santo: Esta obra do Senhor acontece no momento em que alguém chega arrependido aos pés de Cristo, e faz com que o indivíduo, quebrantado por dentro, mas confiante no Sangue de Jesus e na Graça Divina, seja introduzido como membro no corpo de Cristo.

Em outras palavras: no batismo espiritual bíblico o Espírito Santo toma uma pessoa natural, descendente de Adão, que seja das nações ou dos judeus, e a incorpora nesta nova entidade salvadora, formada no dia de Pentecostes, que é o Corpo de Cristo.

Esta obra maravilhosa de Deus não pode ser nem apalpada, nem sentida e também não vista, nem anali- sada; ela acontece junto com o novo nascimento e a aplicação do selo do Espírito. É uma obra invisível que é feita no homem interior. Vale enfatizar que não é ligada a visões ou sensações de correntes quentes passando pelo corpo e nem está acompanhada do dom de línguas.
Mais uma vez fica evidente que os ensinamentos do Pentecostalismo e da ReC estão em franca contradi- ção à doutrina dos apóstolos. Os falsos mestres retiram o batismo do Espírito do “kit completo” da Salvação e o descrevem como um degrau mais alto a ser alcançado depois do novo nascimento.

Mas a doutrina da “segunda bênção” é uma heresia que nega o fato que junto com Cristo recebemos tudo o que Deus quer dar aos Seus filhos (veja Rom. 8;32). A palavra em Efésios 1;3 destaca ainda mais o absurdo da idéia de uma “segunda bênção”: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo;”.

Para completar esta parte, queremos confirmar que existe uma operação do Espírito Santo, que facilmente é confundida com o tal “batismo do Espírito”, porque pode ser sentida e experimentada em vários momentos da vida cristã; estamos falando do Enchimento do Espírito. Esta obra divina é caraterizada de alegria transbordante e poder para testemunhar de Cristo em situações difíceis. Ela opera temporariamente e pode se repetir por muitas vezes. Confiram Atos 4;31, 7;54-60, 11;22-24, 13;7-11. Porém não se lê nada de outros sinais como falar em línguas ou sensações de correntes quentes passando pelo corpo, nem de visões ou de quedas etc.

Inclusive o estado de estar “cheio do Espírito”, mencionado e exigido em Efésios 5;18 é bem diferente do falso “batismo espiritual pentecostal”, porque depende da fidelidade à Bíblia e da obediência e devoção a Cristo de cada um.

c) Os Líderes Carismáticos apoiam seus Argumentos errôneamente no Livro de Atos

Contra a clara doutrina nas cartas dos apóstolos, os líderes carismáticos apontam para exemplos registra-
dos no livro de Atos, para defender sua idéia da “segunda experiência”.

Os Discípulos antes e depois de Pentecostes

É comum que se use o exemplo dos doze discípulos e sua situação antes e depois de Pentecostes, argumentando que eles já eram crentes e nascidos de novo antes, mas que lhes faltava ainda o “batismo do Espírito”. Sem dúvida, é impressionante a transformação deles, que antes eram fracos e medrosos, e depois corajosos ao ponto de encarar qualquer perigo, testemunhando de Cristo.

Mas este tipo de argumentação compara “laranjas com bananas”, ou seja, não tem fundamento. Os discípulos não tinham passado pela experiência do novo nascimento e nem recebido o Espírito Santo, antes de Pentecostes. Por que não? Porque o Espírito de Deus foi derramado somente no dia de Pentecostes. Antes eles não tinham como nascer de novo. Confira João 7;39: “E isto disse ele do Espírito que haviam de receber os que nele cressem; porque o Espírito Santo ainda não fora dado, por ainda Jesus não ter sido glorificado.”

Os apóstolos, antes de Pentecostes, de certa forma estavam na base do Antigo Testamento, acreditando no Messias na Terra; nós, porém, acreditamos no SENHOR crucificado, morto e ressurreto, que está no Céu. Somente depois de ter completado a sua obra salvadora na cruz e ter entrado no Santuário Divino no Céu com seu próprio sangue, o Senhor Jesus pôde derramar o Espírito de Deus sobre as 120 pessoas no Cenáculo, ou seja, sobre a Igreja.

Antes de qualquer outra coisa, os corações dos fiéis reunidos tinham que ser purificados pelo Sangue do Cordeiro de Deus, para que o Espírito Santo pudesse fazer habitação neles, transformando-os em santuários divinos. Assim o Filho recebeu do Pai o Espírito de Deus para poder derramá-Lo sobre a Igreja (compare Atos 2;32-33).

Desta maneira entendemos que a situação peculiar dos discípulos antes de Pentecostes não serve de ar- gumento para contrariar a doutrina dos apóstolos nas Cartas. Fica também claro que o SENHOR, ao assoprar sobre eles, (João 20;22) somente transmitiu uma participação espiritual momentânea.

Os Discípulos de João em Éfeso

Outro relato no livro de Atos é usado frequentemente para defender a doutrina da “segunda bênção”. É a pergunta do apóstolo Paulo dirigida aos discípulos de João Batista na cidade de Éfeso: “Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes?” Atos 19;2. O texto parece ser um grande apoio para o ensinamento da “segunda bênção” – até examinálo a fundo.

Estes judeus da diáspora evidentemente haviam visitado a cidade de Jerusalém um tempo atrás por oca- sião de uma festa judaica religiosa, ouvindo a pregação de João Batista. Eles passaram a crer na mensagem sobre a proximidade do Messias obedecendo ao chamado para o batismo. Mas obviamente voltaram à sua terra natal, sem ter conhecido antes a pessoa de Cristo, a pregação dEle e a Sua crucificação. Nesta situação eles não eram crentes no sentido do Novo Testamento.

Faltava o apóstolo lhes explicar o Evangelho de Jesus Cristo e eles passaram a crer nEle, aceitando o batis- mo na água e em seguida recebendo o Espírito por imposição de mãos por parte do apóstolo. É fácil perceber que essa era uma situação bem peculiar que não pode servir de base para criar uma doutrina.

Comparem também o fato que os judeus primeiro tinham que se batizar na água para depois receberem o Espírito (Atos 2;38), enquanto que os estrangeiros daquele tempo e nós das nações, hoje em dia, recebemos primeiro o Espírito para depois sermos batizados na água (Atos 10;47).

Da mesma forma o recebimento do Espírito por imposição de mãos dos apóstolos era uma situação peculiar. Apesar disso observamos o surgimento de movimentos que proclamam a necessidade de termos outra vez homens com os mesmos poderes que os apóstolos de Cristo (inclusive para distribuir o Espírito por meio de imposição de mãos), e estes já estariam agindo para acelerar o despertamento mundial. Esta idéia não tem fundamento na Palavra.

Aprendamos uma vez por todas que não podemos criar doutrinas que se apoiam em eventos históricos ou unicamente no livro de Atos. A base para qualquer doutrina sempre serão as Cartas dos Apóstolos (Romanos a Judas). O livro de Atos pode contribuir com exemplos ilustrativos para mostrar de que maneira os apóstolos agiam ou puseram em prática certas doutrinas registradas nas Cartas.

3) O Espírito Enganoso atrás do “Batismo Espiritual” Carismático

Acabamos de aprender que o ser humano recebe o Espírito Santo como Pessoa Divina em Sua plenitude, no momento em que se converte e nasce de novo, experimentando o batismo espiritual bíblico. Nesta doutrina encontramos uma verdade de grande significado tanto para nossa vida espiritual, quanto para a Igreja em geral, ou seja: No Senhor Jesus Cristo está toda a plenitude da Divindade e nEle recebemos toda a plenitude de todas as bênçãos espirituais (confira Coloss. 2;9-10 e Efésios 1;3) na mesma hora que O aceitamos como nosso Senhor e Salvador.

Ter somente Jesus Cristo como Senhor da nossa vida é mais do que suficiente. NELE temos toda plenitude e vida abundante (João 10;10) e tudo o que precisamos para nossa vida espiritual (II Pedro 1;2-3 e Rom. 8;32). Cristo pode ser chamado de o Todo-Suficiente.

Mais uma vez a doutrina pentecostal-carismática do “batismo espiritual” como sendo uma “segunda bênção” se revela como heresia altamente perniciosa, porque ela nega exatamente esta total suficiência de Cristo. O próprio Satanás usa esta heresia para convencer o cristão de que, embora aceitasse a Cristo como Senhor, ainda lhe falte uma parte importante para ter uma vida vitoriosa, ou seja, a plenitude do Espírito. O inimigo fala desta maneira: “Você precisa do meu batismo espiritual para viver a plena felicidade com Cristo!”

Embora a Palavra de Deus afirme que o Pai nos doou tudo em Cristo, a Serpente consegue convencer muitos crentes de que ainda lhe esteja faltando a parte decisiva. Foi um procedimento bem parecido que ela usou na hora de seduzir a Eva e o Adão.

Os crentes que consideram os próprios sentimentos como bússola, costumam sentir falta de “toda bênção espiritual nos lugares celestiais” (Efésios 1;3). Eles desejam sentir a presença e o poder de Deus, ainda mais que as próprias derrotas e pecados se repetem, “provando” que parece faltar mesmo o verdadeiro poder divino. Assim acabam buscando a “segunda bênção”.

Ainda não entenderam qual caminho a Bíblia aponta para nós recebermos o poder espiritual divino. Vejamos: Depois que já temos a plenitude do Espírito por meio do novo nascimento, é urgentemente necessário removermos todos os obstáculos de cunho pecaminoso que impeçam o fluxo do Espírito, por meio de arrependimento, confissão e mudança de atitude.

Temos a nossa natureza carnal e egoísta que luta contra a obra do Espírito Santo em nós. Agora cabe a nós, mandá-la para a morte, pronunciando pela fé insistentemente as palavras de Paulo em Gálatas 2;20: “Estou crucificado com Cristo; logo já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim;…” Confira também Gál. 5;16-24 e Rom. 6;11-14.

a) O Recebimento de Outro Espírito: A Advertência de II Coríntios 11

Em vez de obedecer estes ensinamentos bíblicos, os falsos mestres insistem em dizer que o crente precise buscar a “segunda experiência” para vencer as tentações e pecados. Este caminho é perigosíssimo e escorregadio ao extremo, uma vez que o verdadeiro crente já recebeu o Espírito Santo na hora do novo nascimento. A Palavra de Deus nos confirma isso.

Mas seguindo as doutrinas enganosas, ele passa a pedir pela plenitude do Espírito, pela “segunda bênção”. Parece até ser uma devoção exemplar, mas na verdade, ele está colocando a Deus como mentiroso, dizendo que ainda não tem o que ele já recebeu no novo nascimento (comp. I João 5;10).

Não dá para receber o verdadeiro Espírito Santo por duas ou mais vezes. Nem vale referir-se a Lucas 11:13 como fazem os enganadores – esta palavra valia para os apóstolos antes de Pentecostes e os encorajava a pedir pela chegada do Espírito de Deus. E assim o fizeram em Atos 1;12-14. Veja também Lucas 24;49 e Atos 1;4. A nós, porém, já foi dado o Espírito e não faz sentido pedir por ele pela segunda vez.

Vamos avançar mais um pouco em nossa pesquisa bíblica. Uma vez que os líderes pentecostais e da Renovação Carismática (ReC) afirmam ter recebido uma “segunda bênção”, uma “segunda experiência” depois do novo nascimento, e, por outro lado, a Bíblia nos diz que o Espírito Santo é recebido uma vez só, fica evidente que os primeiros foram dotados por um espírito das trevas, por uma entidade mentirosa. Não há uma terceira alternativa. Não existem espíritos “misturados” como alguém sugeria no começo do movimento pentecostal. Já que a luz não se mistura com as trevas (II Cor. 6;14), esta versão é fantasiosa.

O crente que se deixou levar pelas heresias dos pentecostais e buscou o “batismo espiritual” como a se- gunda experiência, se encontra no terreno escorregadio do engano e da truculência. Os falsos mestres insistem que o cristão afaste todo raciocínio e pensamento crítico a respeito e que simplesmente se entregue ao Espírito. Muitas vezes esta afirmação é selada com a imposição de mãos.

Mas se o crente nesta situação se sente inseguro e ele ora: “Senhor, se isto não vem de Ti, me protege!”, ele não recebe a tal “unção”. O espírito da mentira somente pode tomar posse da pessoa, se ela deseja ardentemente esta experiência.

O Segredo da Enganação conforme II Coríntios 11;2-4

A segunda carta aos coríntios nos ensina uma lição importantíssima no capítulo onze: O crente desatento que se deixa levar pelas emoções, pode acabar recebendo um espírito enganoso.

“Porque estou zeloso de vós com zelo de Deus; porque vos tenho preparado para vos apresentar como uma vírgem pura a um marido, a saber, a Cristo. Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo. Porque, se alguém for pregar-vos outro Jesus que nós não temos pregado, ou se recebeis outro espírito que não recebestes, ou outro evangelho que não abraçastes, com razão o sofrereis.” (II Cor. 11;2-4)

“Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo. E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz. Não é muito, pois, que seus ministros se transfigurem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras.” (II Cor. 11;13-15)

Por meio destas palavras o Espírito de Deus desmascara as táticas espertas do diabo na tentativa de seduzir os crentes. O texto nos dá uma visão clara sobre a maneira da enganação agir dentro da Igreja, não somente a heresia pentecostal e carismática, mas qualquer outra que hoje assola as igrejas.

Os crentes em Corinto, sem dúvida, eram legítimos filhos de Deus, mas se encontravam ainda em um estado muito carnal-emocional, mostrando grande falta de maturidade. Depois da partida do apóstolo Paulo, outros, falsos apóstolos chegaram de Jerusalém, apresentandose como servos do poder divino, com uma retórica impressionante (oradores fervorosos), convencendo os coríntios, que perto deles, o legítimo apóstolo Paulo não era grande coisa (confira II Cor. 11;5-6).

Paulo começa a corrigir os coríntios, abrindo-lhes os olhos, para que possam perceber a camuflagem sofisticada dos servos do diabo. Primeiro, eles se sentiam quase que enfeitiçados pelos ensinamentos super-espirituais que tinham ouvido. Mas agora o apóstolo, dirigido por Deus, está dizendo a eles que acabaram de ser enganados por estes falsos mestres, aceitando de bom grado um evangelho enganoso, um espírito mentiroso e um falso Cristo.

Os 3 Elementos Básicos da Sedução Demoníaca

As três coisas que o apóstolo menciona no v. 4 de II Cor. 11 encontraremos em todas as correntes heréticas que assolam a Igreja. Elas fazem parte das ferramentas básicas que Satanás usa para seduzir os crentes em qualquer lugar do mundo. Precisamos conhecê-las bem.

* Um Jesus Falsificado

Muitos custam a entender esta parte e me dizem: “Mas olha bem, como o pessoal da Renovação ama Jesus! Andam falando nEle, dirigindo orações sempre a Ele, afirmando a todo instante que amam Jesus sobre todas as coisas. Estes sim, são verdadeiros cristãos!”

Mas a Bíblia nos mostra que o inimigo manda anunciar um Cristo falsificado que não combina com o Jesus de Nazaré verdadeiro que se apresenta na Palavra de Deus. Tais falsos Cristos existem muitos. Veja o falso Cristo dos Testemunhas de Jeová, o falso Cristo da Religião Católica (que recebe adoração em forma de hóstia e que precisa ser sacrificado sempre de novo), o falso Cristo dos Mórmons, o falso Cristo da Teologia da Libertação etc.

Da mesma forma, no Pentecostalismo e na ReC, um falso Cristo se manifesta em visões e sonhos ou mensagens proféticas. Este, na verdade, é um anjo luminoso truculento, produto da enganação satânica. O verdadeiro Senhor Jesus não aparece visivelmente para nós, antes da Sua Volta em poder e glória (confira I Pedro 1;8). Mas este falso Cristo sim, aparece aos adeptos do Pentecostalismo e da ReC, sendo exaltado e adorado por eles com louvor em estilo Rock e MPB. Ele também se manifesta a eles em mensagens proféticas enganosas, pedindo que se misturem aos cristãos católicos e ortodoxos, formando uma grande família ecumênica.

Um teólogo destacado dos grupos carismáticos, Arnold Bittlinger, chamou este falso Cristo deles de “o arquetipo” ou a forma original do xamã (feitiçeiro, curandeiro pagão), que transmite cura e poder. O pregador da Renovação Carismática (ReC), Merlin Carothers, descreveu uma visão da presença de “Cristo” da seguinte maneira: “De repente eu estava no Espírito e vi a Jesus na minha frente ajoelhado. Ele segurou meu pé e deitou a cabeça nos meus joelhos dizendo: “Eu não quero usar você, mas pelo contrário, quero que você faça uso de mim.”

Dá para perceber logo que se trata de uma falsificação espírita, que está de acordo com o pensamento mágico do paganismo (compara a verdadeira aparição de Cristo em Apocalipse 1;10-20). O falso Cristo do Pentecostalismo e da ReC se introduz entre o crente e o verdadeiro Cristo e começa a chamar a atenção do adepto para si mesmo, recebendo a adoração que pertence ao verdadeiro Cristo.

* Um Espírito Falsificado

A Bíblia testemunha que crentes podem receber um espírito demoníaco, um espírito enganoso e sedutor (I Tim. 4;1), desde que se abrem de coração ingênuo e crédulo. Este falso espírito tenta se fazer de Espírito Santo (compare II Tessalon. 2;2). Mas suas mensagens e seus frutos o desmascaram como espírito enganoso. Os cristãos em Corinto aceitaram as mensagens dos falsos apóstolos, recebendo em consequência um espírito sedutor, que os levava por caminhos equivocados onde acabaram perdendo toda orientação e todo discernimento.

Mas este batismo espiritual, da forma como acontece no Pentecostalismo e na ReC, onde se transmite um espírito falso, não pode ser interpretado como uma possessão demoníaca – pelo menos não em crentes nascidos de novo; visto que eles estão selados com o Espírito Santo (veja Coloss. 1;13). O que acontece nestes casos é o acompanhamento constante pelo espírito das trevas, que se manifesta em visões, vozes, pensamentos involuntários, sensações forçadas, ações involutárias e depressões. Em pessoas que não passaram pelo novo nascimento, possessões são possíveis. Isso vale, por exemplo, para católicos que se abrem para o misticismo ou para a ReC e em consequência disso recebem um espírito das trevas que os rouba todo discernimento e bom senso. Eis o segredo da persistência e resistência a correções destas heresias.

* Um Evangelho Falsificado

Na carta do apóstolo Paulo, dirigido aos Gálatas, Deus nos mostra com todas as letras que é possível que falsos mestres nos preguem um evangelho falsificado, uma “mensagem de salvação” distorcida e mentirosa (compare Gál. 1;6-9, 3;1, 5;7-12). Estes fatos acontecem em todas as heresias que assolam a Igreja e o Pentecostalismo e a ReC não fazem exeções.

No movimento pentecostal clássico, a falsificação se mostrava em adições, feitas à sã doutrina. Idem nas igrejas da Galácia, onde os falsos mestres acresceram a circunsisão dos homens como exigência divina, o que acabou estragando todo o Evangelho.

No caso do Pentecostalismo, as adições se mostravam principalmente na proclamação da cura divina que faria parte da salvação da alma. Nisto aconteceu uma grave inversão de valores. Um valor terreno, limitado a esta vida (a cura), foi igualado à eterna salvação da alma. Além disso, havia elementos da heresia, chamada “a santificação total” e a convicção de um “coração 100% livre de pecado”. Isso tudo faz parte do chamado “Pleno Evangelho”.

Muitos líderes carismáticos falsificam o Evangelho com elementos da Nova Era, tais como “o pensamento positivo” ou fórmulas mágicas de “fé”, constituídas em palavras de ordem ou lemas repetitivas. Veja aqui um exemplo, transmitido por uma emissora evangélica: “Se você quer ter saúde, força e sucesso, venha para Jesus e se ligue com a corrente do poder sobrenatural!” Esta é a maneira de proclamar um evangelho falsificado, onde não se fala da fé na morte de Cristo e do arrependimento. É o falso evangelho da prosperidade que vem ao encontro da expectativa carnal e egoísta de pessoas pagãs.

b) Os Frutos desmascaram o Espírito

Muitos crentes, hoje em dia, enfrentam dificuldades em pronunciar tal sentença bíblica sobre o espírito que age no Pentecostalismo e na ReC. Eles fazem observações superficiais das manifestações e frutos deste espírito e hesitam em aplicar o padrão da Palavra de Deus sem parcialidade.

Observações superficiais não ajudam em nada, uma vez que o espírito enganador tenta imitar manifes- tações do Espírito Santo. À primeira vista temos um quadro meio confuso, onde parece ter uma mistura de elementos bíblicos-espirituais com elementos egoístas-carnais, emocionais e demoníacos.

Mas, na verdade, a realidade é outra. Examinemos o espírito falsificado destes movimentos conforme o padrão bíblico e chegaremos a uma conclusão bem definida. Em I João 4;1 somos chamados a provar os es- píritos: “Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai (examinai, pesquisai) se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo.” O Espírito de Deus nos capacita a fazer isso por meio da Sagrada Escritura.

A base para o exame é a certeza de que todas as ações e manifestações do Espírito Santo de Deus estarão sempre de acordo com a Palavra escrita na Bíblia, sabendo que ela foi inspirada pelo próprio Espírito Santo. Qualquer coisa que contradiz a Palavra de Deus, nós não podemos aceitar como sendo de orígem divina.

O espírito enganador, por sua parte, tenta impedir o exame, ameaçando que isso implicaria no pecado imperdoável contra o Espírito Santo. Mas um crente nascido de novo não pode cometer este pecado, já que ele é selado pelo Espírito Divino. O pecado imperdoável foi cometido pelos fariséus que, ao verem o Senhor Jesus agir no poder de Deus e sendo convencidos no coração que Ele era o Cristo, declararam, que isso era manifestação das trevas.

Se nós obedecermos ao mandamento de examinar os espíritos, o próprio Espírito Santo nos ajudará nesta tarefa. Começando perguntamos: Quais são as manifestações e frutos do espírito enganador que age nos movimentos pentecostal e carismático?

1) Profecias e Doutrinas que contradizem a Doutrina Bíblica

O espírito mentiroso que age nos crentes enganados, às vezes faz pronunciar versículos bíblicos para ca- muflar sua orígem diabólica. Mas a maior parte das mensagens proféticas e das doutrinas “inspiradas” estão em franca contradição à Palavra de Deus. Os exemplos mais conhecidos são o anúncio de um derramamento global do Espírito e o chamado do Jesus falsificado a se unir ao movimento ecumênico que se aproxima do Vaticano.

Mas existem também exemplos menos conhecidos como a escolha de mulheres para posições de liderança e endoutrinamento na Igreja (o que contradiz a ordem em I Tim. 2;12), além das heresias da cura divina, da prosperidade, da confissão positiva (palavra da fé), da expulsão de demônios etc.

O espírito enganador espalhou nas igrejas um sem-número de heresias e procedimentos anti-bíblicos, que se referem expressamente a “revelações” e “visões” dadas pelo Jesus falsificado. Eis a prova definitiva, que tal espírito não é idêntico ao Espírito Santo.

2) Manifestações e Frutos que contradizem a Bíblia

Em muitas pessoas crentes que recebiam o falso batismo espiritual, seja por imposição de mãos ou não, surgem sintomas alarmantes como o desejo de se suicidar, depressões, sensação de estar condenado e rejeitado por Deus, sensação constante de culpa sem motivo, perda da certeza da salvação, pensamentos constrangedores, ouvir vozes estranhas e, em outros casos, psicoses, esquizofrenias etc. São sinais claros de influências demoníacas, que revelam a procedência deste espírito.

Da mesma forma encontramos manifestações deste espírito falsificado em grandes reuniões, onde se ob- servam fenômenos como a queda para trás de dezenas ou até centenas de pessoas ao mesmo tempo, como se fossem derrubadas por uma mão invisível, outros tantos no chão desmaiados ou em transe, alguns com um tremor incontrolável, outros dando gargalhadas histéricas, e mais outros dando latidos, grunhidos, etc. E o quadro se completa ouvindo alguém dizer que estão “embriagados no espírito”, enquanto cambaleiam pelo palco ou “dançando no espírito” mostrando uma coreografia “inspirada”. Tudo isso não consta na descrição da vida cristã no Novo Testamento e contradiz frontalmente as caraterísticas do Espírito Santo, registradas na Bíblia.

“Onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade” (II Cor. 3;17). O verdadeiro Espírito Santo jamais constrangeria pessoas crentes a fazerem coisas contra a sua vontade, nem transformaria pessoas em marionetes. É como diz I Cor. 14;32: “E os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas.” O Espírito de Deus testemunha com o nosso espírito, adverte a nossa consciência e nos encoraja a fazer a vontade de Deus – mas em todo nosso agir, mesmo dirigidos pelo Espírito, o controle do procedimento e a responsabilidade ficam conosco.

O Espírito Santo produz dentro de nós o poder para obedecer a Palavra Bíblica, o amor e o domínio próprio (auto-controle, moderação). Compare I Tim. 1;7. Qualquer ação imposta de fora, sob constrangimento ou “teledirigida”, transformando o crente em marionete inconsciente, é prova de influência diabólica (confira I Cor. 12;2, Marcos 5;1-5). Satanás escraviza pessoas, “apagando” a personalidade delas, para poder fazer coisas por meio dos seus corpos, que elas não fariam voluntariamente.

O famoso e já falecido John Wimber testemunhou, no seu tempo, sobre sua experiência do “batismo espiritual” dizendo que, enquanto estava deitado no chão, uma força invisível o segurava lá durante mais que meia hora, e mesmo fazendo todo esforço possível para levantar, ele não conseguia. Tal poder jamais veio de Deus.

“E um da multidão, respondendo, disse: Mestre, trouxe-te o meu filho, que tem um espírito mudo; e este, onde quer que o apanha, despedaça-o, e ele espuma, e range os dentes, e vai definhando; e eu disse aos teus discípulos que o expulsassem, e não puderam.” Marcos 9;17-18.

O mesmo fenômeno acontece no meio pentecostal e carismático. O espírito demoníaco apanha os que se entregam a ele, assumindo o controle sobre sua personalidade. Em seguida os joga no chão – sinal claro da ação demoníaca e jamais da obra do Espírito Divino. Note bem que na Bíblia há registros de pessoas que caíram de rosto em terra na presença de Deus ou do Anjo do Senhor.

Mas nas reuniões e cultos pentecostais e da ReC, as pessoas costumam cair de costas. E estas quedas para trás, registradas também na Bíblia, representam o juízo divino executado nos pecadores. Confira, por favor, os seguintes textos: Gênesis 49;17, I Sam. 4;18, Jó 12;19, Eccl. 12;7, 24;16, Isaías 26;5, 28;13, João 18;6. Impossível apresentar tais eventos como sendo provas de bênçãos divinas.

Mais um aspecto destas quedas no meio carismático é a forma em que mulheres ficam deitadas no solo de maneira indecente e chamativa. Em muitos lugares existem cobertores preparados para cobrir os corpos destas criaturas infelizes. Sobre este assunto a Bíblia tem sentenças bem claras: Êxodo 20;26, Êx. 28;42, Gên. 9;22-23.

3) Divisões, Seitas e Pecados de Imoralidade

O Pentecostalismo e a Renovação Carismática (ReC) afirmam ser movimentos de grande despertamento espiritual que promovem manifestações divinas em toda sua plenitude. Posto que fossem isso mesmo, deveriam causar em consequência disso uma união maior entre os crentes e aumentar cada vez mais o amor fraternal dentro das igrejas. Mas o que se observa é o contrário. Por onde este espírito penetra nas igrejas, surgem divisões e sectarismo.

O derramamento deste espírito enganador dividiu de 1906 em diante inúmeras igrejas e denominações. O próprio movimento pentecostal se dividiu muitas vezes entre si desde o começo. O primeiro pioneiro, Parham, desconfiava do seu colega negro, Seymour, na Azuza Street e chamou o despertamento que aconteceu por lá de “obra maligna”.

Da mesma forma, de lá para cá, um grande número de líderes “ungidos” e “novos apóstolos” se acusam mutuamente de viverem em pecado para poderem “roubar” as ovelhas um do outro. Até hoje acontece que igrejas bíblicas perdem seus grupos de jovens que são levados pelo espírito enganador carismático.

O espírito mentiroso destes movimentos também produz outros frutos podres como a ganância e o enri- quecimento ilícito que carateriza muitos líderes evangélicos populares, “profetas” e “homens de Deus”. Mas em I Tim. 6;3-10, estas são as “credenciais” dos falsos mestres.

Além destes males, acumulam-se outros pecados chocantes na vida de tantos líderes famosos, (aparen- temente tão cheios do Espírito) como: alcoólismo, mentiras, desvio de doações financeiras, fraudes, e principalmente adultério, divórcio, prostituição, abuso de menores etc. Entre os nomes mais famosos constam Jim Bakker, Jimmy Swaggart, Earl Paulk, Paul Crouch, Paul Cain, Todd Bentley e outros. E no Brasil também não param de surgir acusações deste gênero contra pastores destes movimentos.

Outro fruto podre desta perniciosa doutrina se observa na África, onde missionários pentecostais espalham há muitos anos a ideia da “segunda experiência”, transmitida por imposição de mãos e acompanhada do dom de línguas. Destes grupos pentecostais africanos se formaram seitas com crescimento rápido que, sob liderança de “profetas” e “apóstolos” nativos praticam a magia negra africana, misturada com elementos pentecostais, tais como a “cura divina”, “profecias” e o dom de línguas.

Examinando todos estes frutos do espírito dos movimentos pentecostal e carismático, fica evidente que neles não age o Espírito de Deus, mas sim, um espírito enganador das trevas. Esta percepção já foi registrada na Declaração de Berlím no ano 1909, onde servos de Deus de renome daquela época formaram um texto analisando o pentecostalismo recém-nascido pelos seus frutos.

Como livrar-se do espírito enganador?

Quando um filho de Deus percebe que pecou entregando-se a um espírito enganador, recebendo-o talvez até por imposição de mãos, a pergunta urgente é esta: Como posso me livrar desta força maligna? A resposta é simples: Por meio de um arrependimento sincero, confissão deste pecado na presença de Deus e renúncia total e irrestrita (inclusive o abandono e fim de contato com o grupo).

Não é indicado fazer uma expulsão, uma vez que não se trata de possessão, e sim, de um acompanhamento do poder das trevas. Lembre-se de que um verdadeiro filho de Deus não pode ficar possesso! Ele já foi tirado da potestade das trevas e transportado para o Reino do Filho (veja Colossenses 1;13).

Às vezes, o inimigo tenta recuperar a posição perdida na vida do crente, mas se ele continua se apoiando firmemente no sacrifício de Cristo, no Sangue derramado na cruz, ele terá a vitória completa. Esta libertação representa um ponto de transição importante; lembrando que o Espírito Santo ficou entristecido e apagado, enquanto o espírito enganador dominava aquela vida. Mas agora Ele voltará a agir e curar a vida espiritual do crente.

Vale reprisar que um profundo arrependimento (mudança de atitude) com respeito às doutrinas enganosas, práticas e pensamentos mágicos, exorcismos etc. é fundamental neste processo. Junto com o estudo profundo da sã doutrina bíblica e de uma nova entrega consciente e decidida ao verdadeiro Cristo, o crente terá uma recuperação completa.

4) Conclusão: Precisamos de um Despertamento Verdadeiro
e de uma Vida que reflita a Plenitude do Espírito Santo!

Muitos representantes do Pentecostalismo e da ReC acusam os críticos do movimento, de defender uma igreja fria, formal e engessada, sem poder nem amor divino, que rejeite a obra do Espírito de Deus. Esta é uma acusação sem fundamento, principalmente no que se refere ao autor deste trabalho. A esmagadora maioria dos líderes e crentes fiéis à sã doutrina confessará que, em geral, nas suas igrejas locais faz falta uma entrega e dedicação mais completa a Cristo e uma vida que reflita realmente a plenitude do Espírito.

Nós temos necessidade de nos humilhar e confessar que carecemos de poder, pureza, obediência e amor. Fazemos concessões carnais, entristecendo o Espírito Santo. Sim, nós queremos buscar um verdadeiro despertamento espiritual, orando e traçando o caminho para tornar-nos cheios do Espírito. E este caminho se chama arrependimento e auto-humilhação.

Precisamos aprender a fazer verdadeiras súplicas pelo povo de Deus, da mesma forma que Daniel, Es- dras e Neemias fizeram (veja Dan. 9, Esdr.9, Neem. 1 e 9). Nestes tempos finais que vivemos, o verdadeiro despertamento espiritual não se manifestará em conversões de multidões, mas sim, em primeiro plano, no próprio povo de Deus que acorda da sua fé morna e da conformidade com o mundo, para se dedicar nova e inteiramente a Cristo.

Quando nós rejeitamos as famosas palavras de ordem como “despertamento de massas” e “batismo de espírito pentecostal”, o fazemos lembrando que tais manifestações enganosas representam um dos maiores obstáculos para o verdadeiro despertamento espiritual entre o povo de Deus. Nada impede mais o agir do Espírito Santo nas igrejas, do que esta corrente espiritual enganosa com seu despertamento falsificado.

Nos tempos finais existirá um pequeno remanescente que continuará sendo fiel ao Senhor e à Sua Palavra (confira Apoc. 3;7-13). Oremos irmãos, para que este remanescente se humilhe, se arrependa e se purifique, e que assim seja renovado e fortificado com a plenitude espiritual restaurada para servir ao Senhor até que Ele volte em poder e glória!

 

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